domingo, 2 de janeiro de 2011

TEIA

Entre na minha casa. É vazia, sem alegria,

Na escrivaninha cheia de papeis, permeiam

Palavras anexadas ao limo dos sentimentos.

Minha empregada saiu às dez horas,

Sem noticias abro o jornal,

A guerra flui por entre as páginas,

Mais uma noite de terror nas entrelinhas.

Maria me serve há dias o café de ontem, um pouco,

Este, amargo como um fel... Permanece na lembrança

Na minha mente cansada de vasculhar minha doença,

Somos partes do do que fomos, eu, a empregada e Maria,

Habitamos a mesma teia, no mesmo traço de algodão.

Bebo o som nostálgico do violão estático,

cabisbaixo, não olho nos olhos do meu eu,

No corredor escorrem lágrimas da moldura.

Agora saia, não invada minha privacidade...

No banheiro os sonhos se masturbam...

Agonia entediante do ser.

Um, visto do avesso, por inteiro,

Pêlo descoberto e corpo nu, uma nudez complacente.

Sou noticia de ultima hora, está faltando o templo.

Agora que tudo é silencio, fecho o caderno,

Adormeço sem perceber nada. Lá fora amanhece

O sol desponta... Tem gente detrás da porta

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